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Leitura rápida: O TDAH é um transtorno de neurodesenvolvimento que causa desatenção e impulsividade, dificultando o foco, a organização e o cumprimento de prazos para estudantes. Esse impacto na rotina acadêmica pode ser gerenciado de forma mais assertiva com diagnóstico e acompanhamento profissional (médico e psicológico) aliados a métodos práticos, como a divisão de tarefas em microetapas, o estudo ativo e o uso de um planejador de estudos para estruturar a rotina de forma consistente.
Você já terminou uma aula e percebeu que não conseguiu prestar atenção em boa parte da explicação? Ou passou horas tentando começar um trabalho da faculdade, mas acabou adiando a tarefa mais uma vez? Situações como essas podem acontecer com qualquer estudante.
No entanto, quando elas são frequentes, persistem ao longo da vida e começam a prejudicar o desempenho nos estudos, no trabalho e nos relacionamentos, é importante investigar suas causas.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma delas. Embora seja mais conhecido na infância, ele também pode acompanhar adolescentes e adultos, tornando desafios como organizar a rotina, cumprir prazos e manter a concentração ainda maiores.
Neste conteúdo, vou explicar o que é o TDAH, quais são seus principais sintomas, como ele pode afetar a vida acadêmica e quais estratégias podem ajudar quem convive com o transtorno.
O que é TDAH?
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, publicado pelo Ministério da Saúde, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é considerado uma condição de neurodesenvolvimento, caracterizada por sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, em um nível exacerbado e disfuncional para a idade.
Esses sintomas costumam surgir ainda na infância e podem persistir ao longo de toda a vida, interferindo no desempenho escolar, profissional e social.
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e psicossocial completa, e considera o histórico do paciente, os sintomas apresentados e os prejuízos que eles causam em diferentes contextos da vida.
A neurologista, neurofisiologista e professora de neurologia da Faculdade de Medicina Unoeste, Maria Teresa Fernandes Castilho Garcia, explica que é muito importante discernir o que são sintomas de falta de atenção e o que realmente é um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
“As pessoas que desenvolvem TDAH têm uma condição geneticamente determinada, que é muito comum vir de um dos pais. E isso já afeta o indivíduo desde os seus primeiros anos de vida. O TDAH não é, na grande maioria das vezes, iniciado na vida adulta. Ele já começa nos primeiros anos de vida”, explica a docente.
Muitas pessoas só recebem o diagnóstico na adolescência ou na vida adulta, quando as responsabilidades aumentam e os sintomas passam a interferir de forma mais evidente na rotina.
Quais são os sintomas do TDAH?
O TDAH não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
Os sintomas podem aparecer com predominância de desatenção, de hiperatividade e impulsividade ou de forma combinada, tanto da forma desatenta quanto da forma hiperativa.
De acordo com a professora Maria Teresa, os sinais mais comuns relacionados à desatenção incluem:
- Dificuldade para manter o foco em aulas ou leituras;
- Esquecimentos frequentes;
- Dificuldade para se organizar e se planejar;
- Dificuldade em se fixar em conversas;
- Se distrair facilmente;
- Dificuldade para concluir atividades iniciadas.
Já a hiperatividade e impulsividade podem se manifestar por meio de:
- Inquietação constante;
- Falar excessivamente;
- Interromper conversas;
- Dificuldade para esperar a própria vez.
Também é importante lembrar que apresentar um ou outro desses sinais não significa, necessariamente, ter TDAH.
A neurologista e neurofisiologista destaca que os hábitos da vida moderna também podem provocar ou intensificar dificuldades de atenção.
“O uso excessivo de telas e a sobrecarga de informações podem tanto ser confundidos com o TDAH, como também piorar os sintomas de quem já é portador desse distúrbio”, ressalta.
Segundo a professora, a exposição constante a vídeos curtos, notificações e ao excesso de informações pode dificultar a concentração e gerar sintomas que se parecem com o transtorno.
Por isso, é essencial realizar uma avaliação médica cuidadosa para diferenciar o TDAH de outras condições que também podem afetar o foco e o desempenho acadêmico, incluindo alguns transtornos de aprendizagem e outras condições que apresentam sintomas semelhantes.
Como o TDAH afeta os estudos na faculdade e no vestibular?
A rotina de quem está no vestibular ou na faculdade exige concentração, organização, planejamento e autonomia.
Para estudantes com TDAH, esses desafios podem se tornar mais evidentes à medida que aumentam as responsabilidades acadêmicas e profissionais.
Segundo a professora Maria Teresa, durante a infância os sintomas costumam impactar principalmente o desempenho escolar.
Já na vida adulta, eles podem afetar também a organização dos estudos, a conciliação entre trabalho e faculdade e o rendimento acadêmico.
O Protocolo Clínico do Ministério da Saúde explica que o transtorno pode interferir em habilidades como planejamento, autocontrole e resolução de problemas, competências cada vez mais exigidas ao longo da trajetória acadêmica.
A seguir, veja alguns dos desafios mais comuns enfrentados por estudantes com TDAH.
Dificuldade de concentração nas aulas longas
Manter a atenção durante uma aula extensa ou uma leitura mais complexa pode ser um desafio para estudantes com TDAH.
Pequenos estímulos, como conversas, notificações do celular ou até os próprios pensamentos, podem interromper o foco e dificultar o acompanhamento do conteúdo.
Nesses casos, conhecer estratégias de como melhorar a concentração pode ajudar a tornar a rotina de estudos mais produtiva.
Procrastinação e prazos de trabalhos
Outra dificuldade bastante comum é a procrastinação.
Mesmo sabendo o que precisa fazer, muitas pessoas com TDAH encontram dificuldade para iniciar uma tarefa ou manter a organização até concluí-la.
Como consequência, trabalhos acabam sendo deixados para os últimos dias e os prazos se tornam uma fonte constante de preocupação.
Acúmulo de matéria e ansiedade pré-prova
Quando a organização dos estudos fica comprometida, é comum que o conteúdo se acumule.
Isso faz com que muitos estudantes tentem revisar toda a matéria poucos dias antes da prova, aumentando a ansiedade e reduzindo a qualidade da aprendizagem.
Criar uma rotina de estudos, distribuir as revisões ao longo da semana e utilizar ferramentas como a Técnica Pomodoro, o Método Cornell e estratégias como fazer resumos pode tornar esse processo mais organizado. Essas técnicas não tratam o TDAH, mas ajudam a estruturar melhor o tempo de estudo.
O impacto emocional na vida acadêmica
O TDAH não interfere apenas no desempenho escolar.
Dificuldades frequentes para acompanhar as aulas, cumprir prazos ou manter a organização podem provocar frustração, insegurança e afetar a autoestima.
Por isso, cuidar da saúde emocional é tão importante quanto desenvolver estratégias para melhorar o desempenho nos estudos.
Qual profissional pode ajudar quem tem TDAH?
Conforme o documento do Ministério da Saúde, o diagnóstico de TDAH deve ser realizado por um médico psiquiatra, pediatra ou outro profissional de saúde (como neurologista ou neuropediatra).
O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais. Neurologistas e psiquiatras são responsáveis pela avaliação médica e pela definição do tratamento quando necessário.
Já o psicólogo auxilia o paciente a desenvolver estratégias para lidar com os desafios do cotidiano, fortalecer habilidades de organização e promover o cuidado com a saúde emocional.
Para a professora Maria Teresa, a psicoterapia é uma parte importante desse processo.
“A psicoterapia é muito importante também, porque é nessa reabilitação cognitiva que o adulto ou a criança vai conseguir aprender estratégias para controlar sua impulsividade, para aprender a organizar o seu tempo, usar técnicas para melhorar o rendimento escolar ou acadêmico”, destaca a docente.
Se você ainda tem dúvidas sobre o que faz um psicólogo ou quer entender a diferença entre psicólogo e psiquiatra, vale a pena conhecer melhor a atuação de cada profissional.
Como uma pessoa com TDAH deve estudar?
Não existe um método único de estudo para quem tem TDAH. Cada pessoa aprende de uma forma diferente e pode precisar adaptar sua rotina de acordo com as próprias necessidades.
Algumas estratégias, no entanto, ajudam a organizar melhor o tempo, reduzir distrações e tornar o aprendizado mais eficiente. Elas não substituem o acompanhamento profissional, mas podem facilitar a rotina de estudos.
Técnica Pomodoro e blocos curtos de estudo
Manter a concentração por muito tempo pode ser cansativo. Por isso, dividir o estudo em blocos menores costuma ser uma boa alternativa.
A Técnica Pomodoro, por exemplo, intercala períodos de estudo com pequenas pausas, ajudando a manter o foco e a evitar o desgaste mental ao longo do dia.
Estudo ativo: resumos, mapas mentais e exercícios
Participar ativamente do processo de aprendizagem costuma trazer melhores resultados do que apenas reler o conteúdo.
Fazer resumos, elaborar mapas mentais, resolver exercícios e utilizar métodos como o Método Cornell ajudam a organizar as informações e facilitam as revisões antes das provas.
Quebra de grandes tarefas em microetapas
Quando uma atividade parece muito grande, é comum sentir dificuldade para começar.
Uma forma de evitar isso é dividir a tarefa em pequenas etapas. Em vez de definir apenas “estudar para a prova”, estabeleça objetivos menores, como ler um capítulo, fazer um resumo e resolver alguns exercícios.
Assim, fica mais fácil acompanhar o progresso e manter a motivação.
Ambiente livre de distrações
O ambiente onde você estuda também influencia a concentração.
Sempre que possível, escolha um local silencioso, organizado e com poucos estímulos visuais ou sonoros.
Também vale deixar o celular no modo de foco ou utilizar aplicativos que bloqueiem notificações durante o período de estudo.
Priorização do sono, da alimentação e dos exercícios
Aprender também depende do funcionamento do corpo e da mente. Dormir bem, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente ajudam a melhorar a disposição, a memória e a concentração durante os estudos.
Criar uma rotina com horários para descansar, estudar e cuidar da saúde pode tornar o aprendizado mais leve e sustentável, especialmente em períodos de provas ou vestibular.
Mais importante do que descobrir quantas horas estudar por dia é manter uma rotina consistente, respeitando seus limites e a qualidade do tempo dedicado aos estudos.
Organize sua rotina com um planejador de estudos
Estudar com organização pode fazer toda a diferença, principalmente para quem precisa lidar com várias disciplinas, trabalhos e provas ao mesmo tempo.
Um planejador de estudos ajuda a distribuir as tarefas ao longo da semana, acompanhar prazos e estabelecer metas mais realistas.
Embora não substitua o diagnóstico nem o acompanhamento profissional, ele pode ser um aliado importante para criar hábitos de estudo mais consistentes.
Se você chegou até aqui, já percebeu que o TDAH não define a capacidade de aprendizagem de uma pessoa. Com informação de qualidade, orientação profissional e estratégias adequadas, é possível enfrentar os desafios da vida acadêmica de forma mais organizada.
Para ajudar nessa jornada, baixe gratuitamente o Planejador de Estudos da Unoeste. O material foi desenvolvido para auxiliar você a organizar seus horários, acompanhar metas e construir uma rotina de estudos mais eficiente para o vestibular e a faculdade.


