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Escolher uma carreira na área da saúde vai além de decidir um curso ou se identificar com Biologia. Já pensou em como é o dia a dia de quem trabalha cuidando de pessoas?
Essa área envolve contato humano, decisões importantes e situações que pedem atenção e responsabilidade. É nesse contexto que a Bioética ganha sentido.
A Bioética ajuda a pensar sobre como agir diante de situações que envolvem a vida, o cuidado e o respeito ao outro.
Essas reflexões se tornam ainda mais importantes em um cenário de avanços científicos constantes, novas pesquisas e do uso cada vez mais presente da tecnologia na área da saúde.
Ao estabelecer limites e orientar escolhas, a Bioética influencia diretamente a forma como pacientes são atendidos, como pesquisas são conduzidas e como profissionais se posicionam diante de dilemas éticos.
Para quem está no ensino médio e pesquisando cursos, esse conhecimento ajuda a comparar diferentes tipos de faculdade e até a refletir sobre uma possível transferência de faculdade ao longo da trajetória acadêmica.
Este post é baseado nas contribuições da médica e docente da Faculdade de Medicina da Pós-graduação da Unoeste, Gisele Alborghetti Nai, que também é membro titular do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Hospital Regional do Câncer de Presidente Prudente (Hospital de Esperança).
Ao longo do conteúdo, suas explicações ajudam a entender o que é Bioética e qual sua importância na área da saúde de forma clara, acessível e conectada à realidade de quem está começando a pensar no futuro profissional.
Qual é a definição de Bioética?
Antes de falar em Bioética, é importante entender dois conceitos que costumam gerar dúvidas: ética e moral.
A moral está relacionada aos costumes, valores e regras de uma sociedade. Já a ética é a reflexão crítica sobre esses comportamentos e normas. “É o julgamento feito sobre as regras morais e tem caráter universal”, destaca Gisele.

“A Bioética (“Bio” vida e “ethos” conduta moral) é uma parte do campo da Ética que estuda problemas e implicações morais despertados pelas pesquisas científicas em biologia e ciências da saúde”.
A professora explica que o termo Bioética foi utilizado pela primeira vez em 1927, por Fritz Jahr, e ganhou maior destaque a partir da década de 1970, com o bioquímico norte-americano Van Rensselaer Potter.
Para Potter, a Bioética deveria funcionar como uma ponte entre a biologia e os valores humanos, contribuindo para a sobrevivência e a qualidade de vida da humanidade.
No Brasil, a Bioética ganhou força a partir da década de 1990, com a criação de entidades como a Sociedade Brasileira de Bioética, ampliando o debate sobre ética nas práticas em saúde.
A própria Resolução nº 466/2012, que estabelece diretrizes e normas para pesquisas envolvendo seres humanos, reforça que o progresso científico e tecnológico deve sempre respeitar a dignidade, a liberdade e a autonomia do ser humano.
A relação entre Bioética e Filosofia
A Bioética tem uma relação direta com a Filosofia, já que utiliza seus fundamentos para analisar situações complexas que envolvem a vida humana.
Segundo a professora Gisele, a Bioética é um campo da Ética que utiliza princípios filosóficos para analisar questões morais complexas que surgem com os avanços nas ciências biológicas e nas ciências da saúde.
Quais são os princípios da Bioética?
A Bioética se organiza em quatro princípios fundamentais, amplamente adotados na área da saúde:

- Autonomia: respeitar a capacidade das pessoas de tomarem suas próprias decisões sobre seu corpo e sua saúde, segundo seus valores e crenças;
- Beneficência: agir para o bem-estar dos outros e maximizar os benefícios para o paciente;
- Não maleficência: a obrigação de não causar danos intencionais, garantindo que riscos previsíveis sejam evitados;
- Justiça: distribuição justa de benefícios, riscos, custos e responsabilidades na sociedade, assegurando equidade no acesso à saúde.
Qual é a aplicação da Bioética no dia a dia das áreas da Saúde?
A Bioética não está restrita a debates teóricos. “No dia a dia, nas áreas da Saúde, os quatro princípios da Bioética servem como guias de decisão de dilemas ou conflitos éticos em saúde e pesquisa”, destaca Gisele.
Veja alguns exemplos mencionados pela professora de como esses princípios orientam práticas em saúde:
- Buscar sempre o melhor tratamento para o paciente (beneficência);
- Respeitar a decisão do paciente após a explicação clara do caso (autonomia);
- Ter atenção especial a populações em situação de vulnerabilidade (autonomia);
- Minimizar riscos associados a tratamentos e procedimentos (não maleficência);
- Evitar intervenções desnecessárias ou excessivamente agressivas, quando a chance de cura é muito menor que o sofrimento infligido (não maleficência).
Qual é a importância de uma boa formação acadêmica na área da Saúde?
De acordo com Gisele, uma boa formação acadêmica na área da saúde envolve diferentes dimensões que se complementam.
A primeira delas é o conhecimento técnico-científico. A professora destaca que esse domínio “possibilitará que o profissional de saúde possa reconhecer o melhor tratamento para aquela determinada doença que aflige aquele paciente específico”.
Esse preparo também contribui para evitar danos e lidar com possíveis complicações associadas a tratamentos ou métodos diagnósticos, relacionando-se aos princípios da beneficência e da não maleficência.
Outro ponto fundamental é a formação ética e humanística. Ela permite refletir sobre dilemas da área da saúde caso a caso, favorecendo a compreensão crítica da sociedade, de si mesmo e do outro, e promovendo o respeito à dignidade humana e à autonomia.
Além disso, a formação acadêmica deve integrar o saber técnico ao saber viver em sociedade, estimulando a consciência sobre direitos, deveres e responsabilidades, de acordo com o princípio da justiça.
Como escolher a área da Saúde que mais combina com você?
A área da saúde reúne diferentes profissões, rotinas e formas de cuidado com as pessoas. Por isso, escolher um caminho passa por conhecer as opções, entender como funciona a formação e identificar com quais áreas você mais se conecta.
Para quem está no ensino médio e começando a planejar o futuro, esse é o momento de explorar possibilidades, pesquisar cursos e tomar decisões com mais clareza e segurança.
Nesse processo, também é importante observar a qualidade da instituição. Verificar os conceitos do MEC e optar por um curso reconhecido pelo MEC ajuda a garantir uma formação sólida, alinhada às exigências da área da saúde e às práticas profissionais.
Se você quer conhecer melhor as carreiras da área da saúde e organizar seus próximos passos, vale baixar o e-book Área da Saúde. O material é gratuito e ajuda a entender as opções de cursos e atuação profissional.


