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Se você está pensando em seguir na área da saúde, é bem provável que já tenha se perguntado como está o mercado de trabalho Enfermagem hoje — e, principalmente, se essa é uma escolha segura para o seu futuro.
Essa dúvida não surge por acaso. Escolher uma profissão envolve muito mais do que afinidade com a área. Você quer saber se vai conseguir emprego, se terá crescimento e se o esforço da faculdade realmente vai valer a pena.
No caso da Enfermagem, o cenário atual traz uma combinação importante: existe demanda, existe crescimento e existe espaço. Mas, ao mesmo tempo, existe um nível maior de exigência por parte do mercado.
E é exatamente esse ponto que faz toda a diferença. Não basta saber que a área cresce — você precisa entender como ela cresce e o que ela exige de você.
Para te ajudar a entender esse cenário, o conteúdo abaixo foi baseado nas respostas da coordenadora do curso de Enfermagem do campus de Guarujá da Unoeste, Thaisy Correia Guerra Delgado, e na primeira edição da Demografia da Enfermagem, publicada em 2025, que traz uma radiografia do setor.
O mercado de trabalho para Enfermagem está em alta? É difícil conseguir emprego?
Os dados mais recentes mostram que o mercado de trabalho Enfermagem está em expansão no Brasil — e esse crescimento não é superficial. Trata-se de um setor que concentra o maior número de postos de trabalho da saúde no país, quando somados enfermeiros, técnicos e auxiliares.
De acordo com a Demografia da Enfermagem, houve um aumento de quase 44% nos postos de trabalho entre 2017 e 2022, passando de cerca de 1 milhão para aproximadamente 1,5 milhão de vínculos no setor.
É importante lembrar que esse número não equivale ao total de profissionais, já que um mesmo trabalhador pode ocupar mais de um vínculo de trabalho.
O crescimento ocorreu em todas as regiões do país. Regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram aumentos expressivos, mostrando que o mercado de trabalho Enfermagem está se expandindo de forma mais distribuída.
Mas existe um ponto essencial que precisa ser entendido com clareza. De acordo com a professora Thaisy, o mercado permanece em alta, mas não se trata apenas de ter vaga, e sim de estar qualificado para ocupá-la.
“O mercado tem se tornado mais exigente, valorizando profissionais com raciocínio clínico, domínio técnico-científico, postura ética e humanizada, além da capacidade de trabalhar em equipe”, explica Thaisy.
Como está a PEC da Enfermagem?
Quando o assunto é valorização, é comum surgir a dúvida sobre a PEC da Enfermagem.
De acordo com a professora Thaisy, atualmente não há uma proposta em tramitação com impacto direto imediato na formação ou atuação profissional.
O principal avanço recente foi a criação do piso salarial da categoria, por meio da Lei nº 14.434/2022. Esse movimento trouxe um reconhecimento importante para os profissionais, embora sua implementação ainda esteja sendo ajustada em diferentes contextos.
Qual área da Enfermagem tem mais vagas de emprego?
Quando você observa o mercado de trabalho Enfermagem, percebe que as oportunidades estão diretamente ligadas às necessidades da população.
Isso significa que as áreas com maior volume de vagas são aquelas que atendem maior demanda de cuidado.
Entre elas, a professora Thaisy destaca:
- Atenção primária à saúde, como UBS e Estratégia Saúde da Família;
- Área hospitalar, incluindo clínica médica e cirúrgica;
- Urgência e emergência;
- Terapia intensiva (UTI);
- Saúde do idoso.
Essas áreas concentram maior demanda porque estão diretamente relacionadas ao funcionamento do sistema de saúde e ao perfil epidemiológico da população.
Quais são as áreas da Enfermagem em expansão?
A evolução da enfermagem mostra que novas possibilidades vêm ganhando espaço. A profissão não está estagnada — ela acompanha mudanças sociais, tecnológicas e estruturais do sistema de saúde.
Hoje, algumas áreas da enfermagem vêm apresentando crescimento consistente, especialmente aquelas ligadas à qualidade do cuidado e ao acompanhamento contínuo do paciente.
Entre elas, destacam-se:
- Atenção primária e saúde da família;
- Segurança do paciente e qualidade assistencial;
- Estomaterapia e tratamento de feridas;
- Enfermagem do trabalho;
- Telemonitoramento em saúde digital.
Esse movimento amplia as possibilidades dentro das carreiras em enfermagem, permitindo que o profissional atue em diferentes contextos ao longo da sua trajetória.
Os dados da Demografia reforçam esse cenário. A atenção terciária (alta complexidade), que inclui hospitais e unidades de terapia intensiva, foi a que apresentou maior crescimento absoluto em postos de trabalho (41%), indicando aumento da demanda por profissionais em contextos mais complexos de cuidado.
Ao mesmo tempo, a atenção primária (atenção básica) e secundária (média complexidade) também tiveram crescimento significativo, de 39,2% e 39%, respectivamente, reforçando a necessidade de profissionais em diferentes etapas do atendimento à população.
Como se preparar para o mercado de trabalho na prática?
Se existe um fator que impacta diretamente a entrada no mercado de trabalho Enfermagem, é a forma como você se prepara durante a graduação.
A orientação da coordenadora Thaisy reforça que a formação não deve ser apenas teórica.
“Orientamos que o aluno aproveite ao máximo os cenários de prática (UBS, hospital e projetos de extensão), desenvolva raciocínio clínico e não apenas a execução técnica”, destaca.
Além disso, é fundamental que o aluno estude de forma contínua, com base em evidências científicas, e participe de projetos de extensão.
Essas experiências ajudam o estudante a entender a realidade da profissão e a desenvolver competências que o mercado realmente valoriza.
Afinal, vale a pena entrar no mercado de Enfermagem?
Ao analisar os dados e o contexto, a Enfermagem se mantém como uma área essencial.
Os profissionais atuam diretamente em todas as etapas do cuidado:
- Promoção da saúde;
- Prevenção de doenças;
- Recuperação e reabilitação.
Além disso, representam a maior força de trabalho do sistema de saúde, estando presentes em todos os níveis de atendimento.
Isso reforça a relevância das carreiras em enfermagem e a continuidade da demanda por esses profissionais.
Mas é importante entrar na área com consciência. Não se trata apenas de uma profissão com vagas — é uma carreira que exige preparo, responsabilidade e envolvimento real com a formação.
Como fazer um bom curso de Enfermagem?
A escolha da Faculdade de Enfermagem é um dos fatores que mais influenciam sua trajetória no mercado de trabalho da Enfermagem.
Mais do que olhar apenas para a grade do curso, é importante entender como acontece a formação na prática. A Enfermagem exige vivência real desde o início, e isso faz toda a diferença no preparo profissional.
Um bom curso precisa garantir:
- Integração entre teoria e prática desde os primeiros termos;
- Contato com cenários reais de atendimento;
- Participação em projetos e extensão;
- Desenvolvimento de habilidades técnicas e humanas.
Esse conjunto de experiências ajuda o estudante a desenvolver raciocínio clínico, segurança e autonomia — competências cada vez mais exigidas.
Além disso, uma mudança recente reforça essa necessidade. Em 2025, o governo federal publicou novas diretrizes (Portaria MEC nº 378/2025 e Decreto nº 12.456/2025) que proíbem cursos de Enfermagem na modalidade EAD. A formação deve ser exclusivamente presencial, justamente para garantir prática e contato direto com pacientes.
Ou seja, a vivência durante a graduação não é um diferencial — é essencial.
Agora que você já entendeu como está o mercado de trabalho Enfermagem, fica mais fácil analisar essa escolha com mais clareza.
Clique no banner e veja, no infográfico motivos para fazer Enfermagem, os pontos que você precisa considerar antes de escolher a área.


