Índice
- O que faz um bom advogado?
- Habilidades essenciais para um advogado
- Oratória e persuasão no Direito
- Postura profissional do advogado
- Como se destacar na advocacia?
- Qual o maior medo de um advogado?
- Quais são os 10 mandamentos dos advogados?
- 10 livros que todo advogado deve ler
- Como a faculdade prepara você para ser um bom advogado?
Você já assistiu a uma cena de tribunal em que o advogado faz um discurso impecável e consegue mudar completamente o rumo do julgamento?
No cinema e nas séries, esse costuma ser o momento de destaque da profissão. Só que, na vida real, ser um bom advogado envolve muito mais do que saber falar bem.
É preciso estudar constantemente, interpretar situações complexas, construir argumentos, ouvir pessoas, negociar, organizar prazos e tomar decisões com responsabilidade. Além disso, a ética acompanha o profissional em todas as etapas da carreira.
E tem outro ponto importante: terminar a graduação em Direito, por si só, não transforma ninguém em advogado.
No Brasil, para exercer a advocacia, o bacharel precisa cumprir outros requisitos, incluindo a aprovação no Exame da OAB e a inscrição na Ordem.
Então, se você está pensando em fazer curso de Direito e quer descobrir como ser um bom advogado, continue comigo.
Vou mostrar quais habilidades fazem diferença, como deve ser a postura profissional e de que maneira a faculdade pode preparar você para os desafios dessa carreira.

O que faz um bom advogado?
Não existe uma fórmula pronta para se tornar um profissional de destaque. Afinal, a advocacia reúne diferentes áreas, tipos de clientes e formas de atuação.
Ainda assim, algumas características aparecem com frequência na rotina de quem exerce a profissão com responsabilidade. Um bom advogado precisa conhecer o Direito, interpretar normas e decisões, analisar fatos, construir estratégias e comunicar suas conclusões com clareza.
Também precisa entender as necessidades de quem procura seus serviços. Isso porque a advocacia não se resume aos tribunais. Pela legislação brasileira, atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas também fazem parte das atividades privativas da advocacia.
Por isso, antes de imaginar apenas sustentações orais e audiências, pense em um profissional que passa boa parte da rotina lendo, pesquisando, escrevendo, conversando, negociando e buscando soluções.
Habilidades essenciais para um advogado
Conhecimento jurídico é indispensável, mas não trabalha sozinho. Algumas competências ajudam o profissional a transformar aquilo que sabe em uma atuação eficiente.
Raciocínio lógico e argumentativo
Imagine receber um caso com documentos, versões diferentes sobre o mesmo acontecimento, leis, decisões anteriores e uma série de detalhes. Antes de defender qualquer posição, é preciso organizar todas essas informações.
É aí que entram o raciocínio lógico, a interpretação e a capacidade argumentativa.
O advogado precisa analisar os fatos, identificar quais normas podem ser aplicadas, avaliar evidências e construir uma linha de raciocínio coerente. E argumentar não significa simplesmente “falar bonito” ou vencer uma discussão.
Uma boa argumentação precisa ter fundamento.
Por isso, leitura e escrita também ocupam um espaço importante na profissão. Petições, contratos, pareceres e outras manifestações jurídicas exigem clareza, precisão e domínio da linguagem.
Capacidade de negociação
Nem todo conflito precisa terminar diante de um juiz.
Dependendo da situação, negociação, conciliação, mediação e outras formas de solução de conflitos podem fazer parte do caminho. Nesse cenário, saber ouvir, identificar interesses e construir possibilidades de acordo pode ser tão importante quanto apresentar argumentos.
Um bom negociador também precisa entender que negociar não é simplesmente convencer a outra pessoa a aceitar tudo o que ele quer. É avaliar limites, interesses e alternativas para buscar uma solução juridicamente adequada.
Gestão do tempo e organização
Quem pensa em advocacia precisa se acostumar com uma palavra: prazo.
Processos, reuniões, audiências, documentos e atendimentos podem acontecer simultaneamente. Por isso, organização e gestão do tempo são competências essenciais.
Perder um compromisso ou deixar uma tarefa importante para a última hora pode gerar consequências profissionais e, dependendo da situação, afetar os interesses do cliente.
Agenda organizada, controle de processos, planejamento e definição de prioridades ajudam o advogado a lidar com diferentes demandas sem depender apenas da memória.
E essas habilidades já podem começar a ser desenvolvidas na faculdade, conciliando aulas, leituras, provas, trabalhos, projetos e atividades práticas.
Oratória e persuasão no Direito
Quando você pensa nas habilidades essenciais para um advogado, provavelmente a oratória aparece entre as primeiras. E sim, comunicar-se bem faz diferença.
No entanto, oratória jurídica não significa decorar palavras difíceis ou transformar qualquer conversa em um discurso.
Uma boa comunicação começa pela capacidade de explicar uma ideia com clareza.
O advogado pode precisar apresentar argumentos em uma audiência, conversar com um cliente que não conhece termos jurídicos, negociar com outro profissional ou realizar uma sustentação oral. Cada situação exige uma forma diferente de comunicação.
Além disso, persuasão no Direito deve caminhar ao lado da fundamentação. Argumentos jurídicos precisam se apoiar nos fatos, na legislação e em outras fontes pertinentes ao caso.
Portanto, se falar em público ainda deixa você nervoso, isso não significa que Direito não seja para você. Comunicação, argumentação e oratória são competências que podem ser desenvolvidas com estudo e prática.
Postura profissional do advogado
Imagine dois profissionais com excelente conhecimento jurídico. Um deles se comunica com respeito, cumpre compromissos, explica os riscos do processo ao cliente e mantém uma postura responsável.
O outro não retorna mensagens, promete resultados e trata as pessoas de maneira inadequada.
O conhecimento técnico pode até ser semelhante, mas a postura muda completamente a relação profissional.
É por isso que entender como ser um bom advogado também passa pela forma como esse profissional se comporta.
Ética profissional (Código de Ética da OAB)
A advocacia possui regras próprias de conduta.
O Código de Ética e Disciplina da OAB estabelece princípios e deveres que orientam a relação do advogado com clientes, colegas, autoridades e outras pessoas.
Entre eles está o dever de informar ao cliente, de forma clara, os eventuais riscos de sua pretensão e possíveis consequências da demanda.
O Código também determina que a relação entre advogado e cliente seja baseada na confiança recíproca e estabelece o dever de urbanidade no relacionamento com colegas, autoridades, servidores e terceiros.
Na prática, ética não é um assunto separado da profissão. Ela faz parte da atuação diária.
Comportamento em audiências
A audiência exige preparação.
Antes dela, o advogado precisa conhecer o processo, compreender os pontos importantes do caso e estar preparado para acompanhar o que acontecerá naquele ato.
Durante a audiência, clareza e respeito são fundamentais. O profissional pode precisar formular perguntas, apresentar manifestações e acompanhar decisões sem perder de vista as regras processuais e a estratégia jurídica.
E lembra da oratória? Ela aparece novamente aqui. Falar com segurança ajuda, mas ouvir atentamente também é essencial.
Relacionamento com clientes
Quem procura um advogado geralmente está tentando resolver um problema ou tomar uma decisão importante. Por isso, saber ouvir faz parte da profissão.
O cliente precisa compreender o que está acontecendo, quais caminhos existem e quais riscos estão envolvidos. O próprio Código de Ética determina que o advogado informe claramente os riscos da pretensão apresentada pelo cliente.
Isso também significa evitar promessas de resultado.
Processos e negociações envolvem fatores que não dependem exclusivamente do advogado. Uma comunicação transparente ajuda a construir uma relação profissional baseada em confiança.
Como se destacar na advocacia?
Você pode se perguntar: se muita gente faz Direito, como construir uma carreira que se diferencie?
O primeiro passo é abandonar a ideia de que existe um truque para isso.
Construir uma trajetória profissional exige tempo. Conhecimento técnico, atualização constante, experiência, boa comunicação e responsabilidade ajudam a formar a reputação do advogado.
Também vale acompanhar as transformações da própria sociedade. Direito Digital, proteção de dados, questões ambientais e novas relações de trabalho são exemplos de assuntos que ampliaram as demandas jurídicas nos últimos anos.
Outro caminho é conhecer diferentes possibilidades de atuação antes de decidir onde se especializar. Afinal, Direito Civil, Penal, Trabalhista, Empresarial e Tributário são apenas alguns exemplos.
Inclusive, antes de escolher a advocacia, vale conhecer outras carreiras e concursos para Direito. A graduação também pode abrir caminhos para diferentes funções públicas, observados os requisitos de cada área.
E se a remuneração também pesa na sua escolha, procure entender quanto ganha um advogado considerando área de atuação, experiência, região, tipo de vínculo e outros fatores. Não existe um único salário para toda a profissão.
Qual o maior medo de um advogado?
Não existe um “maior medo” que seja comum a todos os advogados.
Na prática, algumas preocupações profissionais podem estar relacionadas a perder prazos, sofrer um “branco” por nervosismo em uma audiência, não conseguir atender adequadamente às necessidades de um cliente, enfrentar situações novas ou lidar com a responsabilidade envolvida em determinadas causas.
No começo da carreira, a insegurança também pode aparecer. Afinal, sair da faculdade e começar a lidar com situações reais é uma mudança importante.
Por isso, preparação e estudo contínuo fazem diferença. Quanto maior o domínio técnico e a experiência, mais ferramentas o profissional terá para lidar com os desafios da rotina.
E reconhecer que não sabe tudo também faz parte do amadurecimento profissional. O Direito muda, novas situações aparecem e estudar continua sendo necessário mesmo depois da graduação.
Quais são os 10 mandamentos dos advogados?
Talvez você encontre essa expressão durante a faculdade. Os chamados 10 Mandamentos do Advogado são associados ao jurista uruguaio Eduardo J. Couture e ficaram conhecidos como reflexões sobre princípios importantes para o exercício da advocacia.
Em vez de decorar frases, vale entender as ideias que eles representam. Em síntese, Couture chama atenção para dez atitudes:
- Estudar;
- pensar;
- trabalhar;
- lutar pelo Direito e pela justiça;
- agir com lealdade;
- ser tolerante;
- ter paciência;
- ter fé;
- esquecer: não carregar os conflitos profissionais para a vida;
- amar a profissão.
Percebe como várias delas continuam conversando com aquilo que vimos até aqui?
Estudo permanente, pensamento crítico, ética, respeito e responsabilidade continuam sendo importantes para quem pretende construir uma carreira jurídica.
Vale apenas não confundir esses mandamentos com normas profissionais. Eles são ensinamentos atribuídos a Couture. As regras brasileiras que disciplinam a advocacia estão, entre outras fontes, no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética e Disciplina da OAB.
10 livros que todo advogado deve ler
Outra pergunta comum é quais livros não podem faltar na estante de quem pretende seguir a carreira.
Só que não existe uma lista oficial de dez obras que todo advogado seja obrigado a ler. Além disso, as leituras técnicas mudam conforme a área escolhida e precisam acompanhar alterações legislativas e jurisprudenciais.
Por isso, se você ainda nem começou a faculdade, eu prefiro pensar em uma seleção que ajude a ampliar repertório, argumentação, reflexão sobre justiça e compreensão da sociedade:
- O Caso dos Exploradores de Cavernas, de Lon L. Fuller — apresenta um caso fictício que estimula discussões sobre interpretação, justiça e aplicação do Direito.
- Dos Delitos e das Penas, de Cesare Beccaria — um clássico para conhecer discussões históricas sobre punição e sistema penal.
- O Espírito das Leis, de Montesquieu — importante para compreender ideias relacionadas à organização política e à separação dos poderes.
- A República, de Platão — ajuda a entrar em contato com discussões filosóficas sobre justiça, política e sociedade.
- 1984, de George Orwell — a ficção abre espaço para reflexões sobre poder, vigilância, liberdade e Estado.
- O Processo, de Franz Kafka — apresenta uma narrativa marcada pela relação do indivíduo com um sistema burocrático e opaco.
- O Sol é para Todos, de Harper Lee — provoca reflexões sobre ética, defesa de direitos e o papel do profissional do Direito na sociedade.
- Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus — amplia o olhar sobre desigualdade, pobreza e realidade social brasileira.
- Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago — provoca reflexões sobre convivência, responsabilidade e comportamento social.
- Os Mandamentos do Advogado, de Eduardo J. Couture — aproxima o leitor das reflexões do jurista sobre a profissão.
Essa lista não substitui as obras técnicas indicadas durante a graduação. Conforme você avançar no curso e descobrir suas áreas de interesse, códigos, doutrinas, jurisprudência e literatura jurídica especializada passarão a fazer parte da rotina.
Como a faculdade prepara você para ser um bom advogado?
Até aqui, vimos bastante sobre competências profissionais. Mas onde elas começam a ser construídas?
A faculdade de Direito tem um papel fundamental nesse processo.
É durante a graduação que você desenvolve bases em diferentes áreas jurídicas, aprende a interpretar normas, exercita argumentação e escrita e começa a compreender como o Direito se relaciona com a sociedade.
E são alguns anos de preparação. Se você está pesquisando quanto tempo dura a faculdade de Direito, a graduação da Unoeste, por exemplo, possui duração de 5 anos, ou 10 semestres.
Atualmente, o bacharelado em Direito é oferecido presencialmente nos campi de Presidente Prudente e Jaú.
Aliás, essa é uma informação importante para quem procura saber se existe curso de Direito EAD: antes de escolher onde estudar, é fundamental conferir a modalidade efetivamente autorizada e ofertada pela instituição.
Na Unoeste, a formação combina conteúdos teóricos e experiências práticas. O curso possui nota máxima na avaliação do MEC, e oferece ambientes de simulação jurídica, além de oportunidades de estágio por meio de convênios com órgãos públicos e privados.
Tudo isso ajuda a desenvolver a base necessária para diferentes caminhos profissionais. E, se a escolha for a advocacia, a formação universitária será uma etapa essencial dessa trajetória.
No fim das contas, aprender como ser um bom advogado não começa no primeiro processo que você assumir. Começa muito antes: na curiosidade, no hábito de estudar, na capacidade de ouvir diferentes pontos de vista e na disposição para desenvolver competências técnicas e humanas.
Se você se identifica com esse universo e consegue se imaginar construindo argumentos, analisando situações e ajudando a buscar soluções para conflitos, talvez seja a hora de transformar essa curiosidade em profissão.
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