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Você se imagina cuidando de pessoas, gosta da área da Saúde e pensa em fazer Enfermagem. Aí surge uma questão capaz de colocar todos esses planos em dúvida: “mas eu tenho medo de sangue. E agora?”.
Se essa pergunta já passou pela sua cabeça, existe uma informação importante que eu quero contar logo de início: sentir desconforto ao ver sangue não significa, automaticamente, que você precisa desistir da profissão.
A reação pode variar bastante. Há quem sinta apenas uma aflição momentânea, enquanto outras pessoas apresentam tontura, náusea, queda de pressão ou até desmaio. Em alguns casos, o medo é tão intenso que pode estar relacionado à hematofobia.
Além disso, a Enfermagem é muito mais ampla do que procedimentos com agulhas e sangue. Ao longo da faculdade de Enfermagem, você conhece diferentes possibilidades de atuação e desenvolve habilidades gradualmente.
Então, antes de concluir que o medo de sangue na Enfermagem é um obstáculo impossível de superar, vale entender de onde vem essa reação e como é a formação na prática.

O que é hematofobia?
Hematofobia é o nome usado para descrever o medo intenso de sangue. Ela faz parte das chamadas fobias específicas e pode provocar uma resposta física importante diante do sangue ou até da expectativa de entrar em contato com ele.
Por isso, não estamos falando simplesmente de “não gostar” de ver sangue.
Uma pessoa com esse tipo de fobia pode apresentar sintomas como ansiedade, suor, palidez, náusea, tontura e sensação de fraqueza. Algumas pessoas também podem desmaiar.
Mas isso significa que toda pessoa que fica enjoada ao ver sangue tem hematofobia? Não.
Sentir desconforto, principalmente quando você não está acostumado com determinadas situações, não é suficiente para caracterizar uma fobia.
Quando o medo é persistente, muito intenso e começa a provocar sofrimento ou limitar escolhas e atividades, a avaliação de um profissional de saúde é importante.
E existe tratamento. Abordagens psicológicas, especialmente aquelas que trabalham a exposição de maneira gradual e controlada, podem ser utilizadas no tratamento de fobias específicas.
Tenho medo de sangue: posso fazer Enfermagem?
Sim, ter medo de sangue não impede, por si só, que alguém faça Enfermagem.
Entretanto, é importante entender o outro lado dessa resposta: durante o curso de Enfermagem, você terá contato com procedimentos e situações que podem envolver sangue.
A formação prepara o futuro enfermeiro para prestar assistência ao paciente e desenvolver diferentes competências profissionais. Por isso, as atividades práticas fazem parte dessa jornada.
O contato também não acontece de uma hora para outra. Antes de realizar determinadas atividades em situações reais de assistência, o estudante desenvolve conhecimentos teóricos e participa de práticas e treinamentos que ajudam na construção das habilidades necessárias.
Essa experiência gradual pode fazer com que algumas pessoas se sintam mais seguras com o tempo. No entanto, cada estudante reage de uma maneira.
Portanto, se o seu sonho é ser estudante de Enfermagem, não descarte essa possibilidade apenas porque hoje você sente aflição ao pensar em sangue. Primeiro, tente entender a intensidade desse medo e como ele afeta você.
Como lidar e superar o medo de sangue durante a faculdade?
Fingir que o medo não existe provavelmente não é a melhor estratégia. Reconhecer o que você sente permite procurar formas mais adequadas de lidar com a situação.
Durante a graduação, o aprendizado acontece por etapas. Conhecer os procedimentos, entender o que está acontecendo e desenvolver habilidades em ambientes de aprendizagem pode ajudar a diminuir a sensação de estar diante de algo totalmente desconhecido.
Também vale conversar com professores e supervisores sobre dificuldades que estejam interferindo no aprendizado. Isso não significa evitar indefinidamente as competências necessárias à formação, mas buscar orientação para desenvolver mais segurança.
Agora, se o medo provoca crises intensas, desmaios frequentes ou faz você evitar atividades importantes, procure ajuda profissional. Psicólogos podem avaliar o caso e indicar estratégias adequadas. Em fobias específicas, técnicas de exposição gradual podem fazer parte do tratamento.
Ou seja: superar o medo não significa simplesmente “se obrigar a olhar para sangue até acostumar”. O processo precisa respeitar seus limites e, quando necessário, contar com acompanhamento especializado.
youtube.com/watch?v=PaIdJx-rwao&feature=youtu.be
É normal sentir tontura ou enjoo nas primeiras aulas?
Pode acontecer. Ver um procedimento pela primeira vez é diferente de assistir a uma cena em uma série ou a um vídeo no celular.
Algumas pessoas podem sentir náusea, tontura, fraqueza ou desconforto diante de sangue, agulhas, ferimentos e procedimentos médicos. Isso não significa automaticamente que elas escolheram a profissão errada.
Inclusive, em algumas pessoas, a exposição a sangue ou ferimentos pode estar associada a uma resposta vasovagal, com queda da pressão arterial e da frequência cardíaca, o que pode levar ao desmaio.
Se você perceber que está passando mal durante uma atividade, comunique o professor ou responsável. Tentar esconder os sintomas não ajuda e ainda pode colocar você em risco de cair e se machucar.
Mais importante: não transforme uma reação das primeiras experiências em uma conclusão sobre toda a sua carreira.
Áreas da Enfermagem com pouco ou nenhum contato com sangue
Aqui existe outro mito que vale quebrar: trabalhar com Enfermagem não significa passar todos os dias coletando sangue ou acompanhando cirurgias.
O mercado de trabalho em Enfermagem é bastante diversificado. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) organiza as especialidades do enfermeiro em grandes áreas que incluem assistência, gestão, ensino e pesquisa. Entre as possibilidades reconhecidas estão Saúde Pública, Saúde Ocupacional, Auditoria, Gerenciamento, Educação em Enfermagem e Pesquisa Clínica.
Algumas dessas carreiras podem envolver um contato bem menor com sangue no cotidiano. Isso não elimina, porém, as experiências práticas necessárias durante a graduação nem significa que o profissional jamais encontrará uma situação desse tipo.
Saúde Pública, Enfermagem do Trabalho e Consultoria
Na Saúde Pública e na Saúde Coletiva, o enfermeiro pode participar de ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, educação em saúde, vigilância e acompanhamento da população.
Outra possibilidade é a Saúde Ocupacional, que inclui a atuação do enfermeiro do trabalho e do enfermeiro em Saúde do Trabalhador. Essas especialidades são reconhecidas pelo Cofen.
A consultoria também aparece em determinados contextos de atuação. O Cofen prevê atividades de consultoria para o enfermeiro, como treinamentos, elaboração e implementação de protocolos e apoio técnico-científico.
Dependendo do cargo e do ambiente profissional, portanto, a rotina pode estar mais relacionada a planejamento, prevenção, orientação e gestão do que a procedimentos invasivos.
Gestão Hospitalar, Enfermagem Estética, Auditoria e Ensino
Prefere uma atuação mais voltada à organização dos serviços? A Enfermagem também oferece esse caminho.
O enfermeiro pode trabalhar com gerenciamento, administração hospitalar, qualidade em saúde e auditoria. Aliás, o Cofen regulamenta a auditoria de Enfermagem como atividade privativa do enfermeiro.
Ensino e pesquisa formam outra grande área reconhecida pelo Conselho. Assim, depois da formação e das qualificações exigidas para cada função, é possível atuar na educação de outros profissionais e estudantes ou seguir pela pesquisa.
A Enfermagem Estética também aparece entre as especialidades reconhecidas. Nesse caso, porém, atenção: estética não é sinônimo de ausência de sangue. Dependendo do procedimento realizado, pode existir contato com agulhas, perfurações e outros materiais biológicos.
É justamente essa variedade que torna o processo de Enfermagem e a profissão tão interessantes: existem diferentes ambientes, especialidades e caminhos para construir uma carreira.
Dê o primeiro passo para realizar o seu sonho na Saúde
Se você chegou até aqui porque pensava “tenho medo de sangue, então Enfermagem não é para mim”, espero ter ajudado a enxergar essa decisão de outra forma.
O medo merece atenção, principalmente quando é intenso. Mas ele não precisa ser o único fator usado para decidir o seu futuro profissional.
Antes de escolher uma carreira, procure conhecer a graduação, as atividades práticas, as possibilidades de especialização e a rotina de diferentes enfermeiros. Assim, você consegue comparar aquilo que imagina sobre a profissão com o que realmente encontrará no dia a dia.
Na Unoeste, a faculdade de Enfermagem prepara o estudante para desenvolver conhecimentos e competências importantes para o cuidado em saúde, aproximando teoria e prática ao longo da formação.
Se cuidar de pessoas é algo que faz sentido para você, conheça melhor essa possibilidade antes de deixar o medo decidir por você.
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